Quando as mulheres são livres, as economias prosperam

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Texto original de Chelsea Follett, Pesquisadora no Cato Institute. Tradução de Marcelo de Arruda, Diretor Acadêmico do ILA – Instituto Liberal de Alagoas.

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           Uma coluna[i] bizarra no Daily Telegraph da Austrália do mês passado argumentou que deveria ser ilegal ser uma mãe dona de casa. O artigo foi recebido com ridicularização, e com razão. As mulheres devem ser livres para fazer suas próprias escolhas sobre a família e a carreira. Felizmente, nenhum país realmente proíbe a escolha de uma mulher para ser dona de casa. Infelizmente, em grande parte do mundo, as opções de uma mulher para trabalhar fora de casa são severamente limitadas pela intromissão do governo.

           Uma das revelações mais assustadoras do recente relatório de desenvolvimento humano da ONU diz respeito ao estado da liberdade econômica das mulheres em todo o mundo. Em 100 países, o governo proíbe as mulheres de trabalhar em algumas profissões. As mulheres argentinas são impedidas de operar destilarias, as mulheres russas são proibidas de se tornarem madeireiras ou condutores de trem de carga, e as mulheres emiradenses de gerenciar e monitorar máquinas mecânicas.

            Para muitas mulheres ao redor do mundo, a liberdade econômica é um sonho distante. Os países devem adotar politicas de liberdade econômica não só porque as mulheres são capazes de fazer suas próprias escolhas, mas porque a adoção dessas politicas é uma estrada comprovada para sair da pobreza.

            Considere a Etiópia, um dos países mais pobres do mundo. Antes da virada do milênio, as mulheres etíopes não dispunham de liberdades econômicas fundamentais, incluindo a igualdade de direitos de propriedade e a liberdade de procurar emprego remunerado. Os maridos poderiam manter o controle exclusivo sobre a propriedade conjunta e negar a permissão de suas esposas para trabalhar fora de casa.

            Um homem etíope que emigrou para os Estados Unidos lamentou[ii] a perda desse poder:

“Minha esposa e eu viemos aqui juntos, mas depois de alguns anos as ideias e os comportamentos de minha esposa começaram a mudar… ela descobriu que poderia ter seu próprio emprego e dinheiro. Isso era algo que não podia fazer na Etiópia. Ela então saiu e conseguiu um emprego e ganhou dinheiro para si mesma. Este novo trabalho e dinheiro deu-lhes ideias sobre mais liberdade e independência. Ela então decidiu administrar seu próprio dinheiro, comprar seu próprio carro, comprar sua própria roupa e outros itens que ela queria – como as mulheres americanas. Ela se tornou tão independente que eu não podia mais controlá-la”.

            Em 2000, uma revisão da lei do código da família da Etiópia concedeu às esposas igual autoridade para administrar conjuntamente a propriedade conjugal comum e concedeu o direito de trabalhar fora do lar sem permissão do cônjuge. A revisão legal foi implementada em algumas regiões e cidades antes de outras, permitindo os pesquisadores examinar o efeito da lei.

            Os primeiros adeptos do aumento da liberdade econômica para as mulheres viram aumentar a participação feminina no mercado de trabalho. Mais mulheres envolvidas em trabalho remunerado e trabalhos com requisitos educacionais mais altos, bem como ocupações que duram todo o ano. “Em outras palavras, a representação das mulheres aumentou em ocupações que provavelmente terão retornos mais altos”, concluiu o estudo. A mudança foi mais dramática entre jovens, mulheres solteiras cujas expectativas de vida e dinâmica doméstica ainda não tinham sido definidas.

               Infelizmente, a violência doméstica ainda é um problema social generalizado e nas áreas rurais, as liberdades econômicas das mulheres são as vezes ignoradas. Mais de 70% das mulheres da Etiópia sofreram violência doméstica em algum momento de suas vidas, de acordo com pesquisa realizada cinco anos após a revisão legal. Uma visão geral de dez desses estudos revelou que a prevalência ao longo da vida da violência doméstica contra mulheres variou de 20 a 78 por cento na Etiópia.

               Ao contrário dos imigrantes etíopes para os Estados Unidos, é claro que muitas mulheres na Etiópia ainda não têm a capacidade de ganhar e gerenciar dinheiro sem interferência. Ainda assim, a mudança legal é um passo na direção certa.

Ainda hoje, existem 18 países onde os maridos podem legalmente negar a permissão de suas esposas para trabalhar. São Bahrein, Camarões, Chade, Comores, Congo (Kinshasa), Gabão, Guiné, Irã, Jordânia, Kuwait, Mauritânia, Níger, Qatar, Síria, Emiratos Árabes Unidos, Cisjordânia e Gaza e Iêmen. Talvez seus governos tenham medo de que a liberdade econômica possa dar às mulheres “ideias sobre mais liberdade e mais independência”. É hora de que as mulheres em todos os lugares sejam livres para fazer suas próprias escolhas sobre se trabalhar dentro ou fora de casa.

Referências:

[i] http://www.dailytelegraph.com.au/rendezview/sarrah-le-marquand-it-should-be-illegal-to-be-a-stayathome-mum/news-story/fbd6fe7b79e8b4136d49d991b6a1f41c

[ii] https://www.amazon.com/Little-Ethiopia-Pacific-Northwest-Joseph/dp/141284987X

  • Caio Baptista

    Parabéns pelo artigo! Sou de São Paulo, mas morei em Maceió, por causa de minha mãe alagoana. Fico muito admirado e satisfeito com o trabalho de vocês em divulgar as ideias liberais em Alagoas!

    • Equipe ILA

      Obrigado, Caio! Grande abraço!